O que adiante tanto moralismo nessa
sociedade?
Cada um quer impor sua moral, seu
jeito de pensar e agir achando que é o único caminho – seja em âmbito social,
religioso, político, filosófico, sexual...e assim por diante.
Não existe um certo e um errado. Um
bem e um mal. Isso é criação humana para podermos ter o mínimo de paz social e
não nos consumirmos como feras sedentas e irracionais por prazeres carnais e
espirituais.
Tudo bem.
Se somos moralmente criados assim,
ensinados a ter responsabilidades com nossas atitudes, por que essa sociedade
vive hipocritamente?
Em épocas de crise, como a atual,
não deveria ser costume sair satisfazendo o ego e comprando coisas fúteis, e
pior ainda, não pagando por elas, mas desfilando socialmente como o boyzinho e
a patricinha que tem condições de ostentar uma imagem.
E as redes sociais então. É o
shangrila!
Todos são felizes, lindos, com
sorrisos perfeitos, corpos perfeitos, relacionamentos amorosos perfeitos, juras
de amor intermináveis...
Sinceramente. Sinto-me em um
universo paralelo...meu mundo é completamente diferente.
Tenho amores frustrados, amizades
por interesse, gente feia ao meu redor – inclusive eu, completa indiferença
comigo e com o meu trabalho e status social que alcancei – talvez porque eu
pague minhas contas e não tenha redes sociais utópicas para fazer falsa
propaganda.
Meu universo é bem diferente disso
tudo. Meus problemas emocionais só são agravados ao ver tanta gente vivendo em
mais completa felicidade e eu nem sei bem como encontrar uma pessoa que valha a
pena vincular afetivamente para não causar mais frustrações do que felicidades.
Se ao menos eu soubesse que essa
felicidade é real e o mundo perfeito existe eu faria tudo exatamente igual aos
hipócritas ao meu redor. Tiraria fotos de todos os lugares bonitos a que vou,
das roupas que me caem bem, fotos em ângulos que privilegiam minha fisionomia e
deixaria de me dedicar às minhas leituras filosóficas, meus estudos para meu
trabalho, meus estudos para concursos públicos, minha informação diária para ao
menos saber de algum assunto e não ficar com cara de paisagem quando outros
estiverem falando a respeito. Simplesmente seria mais uma peça decorativa entre
a sociedade, vazio e imprestável.
Esse mundo fútil e hipócrita é cada
vez mais maravilhoso para enganar nossas agonias e frustrações.
Mas tudo bem.
Não vou quero impor meu jeito de
agir e pensar, não seu ninguém para isso, sou um pária nesse mundo novo,
líquido e sem referências, que não seja o mero prazer instantâneo.
Sou um bosta. Um alienígena vendo
uma cultura fútil, inútil e sem valor algum a agregar ao que espero dessa vida
infeliz, a qual preciso buscar elã vital
para ter o mínimo de tesão para continuar.
17/02/2016
Ivo Uji
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